Porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre! Ali, onde? O “ali” do salmista aponta especificamente para Sião!
O salmista faz referência à cidade de Sião, Jerusalém, a cidade do grande Deus "GRANDE é o SENHOR e mui digno de louvor, na cidade do nosso Deus, no seu monte santo" ( Sl 48:1 ). Sião pertence ao grande Senhor. Ela é a cidade de Deus, estabelecida sobre um dos montes que recebem do orvalho que vem do monte Hermon.
Por que Sião é o lugar que o Senhor ordena a bênção? Por que de Sião haveria de vir o salvador "E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades" ( Rm 11:26 ).
Quando apontou para Sião como sendo o lugar que o Senhor ordena a bênção, o salmista não tinha em mente carros, cavaleiros, mulheres e reinos, antes visava a bênção da salvação. De Sião viria o Libertador. De lá viria redenção que desviará de Jacó as impiedades. De Sião veio o Senhor Jesus que tira o pecado do mundo!
Carros, cavaleiros, reinos e mulheres são conquistados através da força do seu trabalho, porém, a salvação somente através d’Aquele que viria de Sião.
O homem se sustém de pão adquirido com dores, porém, a bênção da vida eterna só é possível através das palavras que saem da boca de Deus ( Mt 4:4 ). Somente em tais palavras se adquire a bênção e a vida para sempre ( Jo 4:14 ). É o Senhor que concede a bênção e a vida eterna. A salvação do Senhor é a verdadeira riqueza, pois diz de bens eternos que não acrescenta dores.
O Senhor ordena a sua bênção somente sobre os que obedecem a sua palavra. E, qual bênção o homem espera alcançar de Deus? A bênção da salvação "A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção" ( Sl 3:8 ).
Basta esperar em Deus porque é Ele quem trabalha para prover o homem de bênçãos eternas "Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera" ( Is 64:4 ). Com relação ao labor diário é da alçada do homem prover o seu próprio sustento, mas com relação à salvação o homem deve esperar n’Aquele que trabalha em seu favor.
Em nossos dias muitos querem inverter os papéis. Com relação ao sustento diário querem que Deus lhes dê o sustento, o que contraria a determinação divina dada no Éden ( Gn 3:19 ), e dizem ‘viver da fé’. Quanto à salvação, querem fazer a ‘obra do Senhor’, sendo que expressamente Deus diz: "Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura" ( Is 55:2 ).
Aquele que ouve atentamente a voz do Senhor, que diz: “Crede naquele que Ele enviou” ( Jo 5:38), se deleitará com alegria com a obra que o Senhor realizará. Muitos desejam e outros dizem que realizam a ‘obra de Deus’. Fazem como os ouvintes de Jesus, ficam se perguntando como realizar a obra de Deus “Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?" ( Jo 6:28 ).
A obra que Deus é fazer com que os homens creiam no enviado por ele "Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" ( Jo 6:29 ). Ora, é impossível o homem realizar a obra de Deus, visto que a sua obra consiste em convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo.
A multidão que foi atrás de Jesus queria saber como realizar a obra de Deus, porém, esperavam Deus realizasse o que foi determinado a todos os homens fazerem “Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” ( Jo 6:26 ).
Jesus demonstra saber qual a intenção da multidão que o seguia: buscavam ser saciados com pão, e não porque creram em sua palavra. Jesus alerta para que qualquer que queira segui-lo, que o buscasse (trabalho) pela comida que permanece para a vida eterna, e não pelo pão diário “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).
O que o Senhor ordena como bênção?
Que bênção o Senhor prometeu a Davi, seu servo? Prometeu abençoar a casa de Davi para que ela permanecesse para sempre "Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor DEUS, o disseste; e com a tua bênção será para sempre bendita a casa de teu servo" ( 2Sm 7:29 ).
Por que a casa do salmista seria bendita? Porque a salvação do Senhor, que viria de Sião, surgiria como um renovo através de sua descendência “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre” ( 2Sm 7:12 -16).
Do mesmo modo que o orvalho do monte Hermon alcança os montes em redor, a mesma bênção ( Gn 22:18 ), estabelecida no monte denominado de ‘O Senhor proverá’ ( Gn 22:14 ), propagou-se até chegar ao monte Sião na linhagem de Davi ( Rm 11:26 ), e dali a bem-aventurança alcançou os confins da terra através do Descendente prometido.
Abraão alcançou a bênção do Senhor porque obedeceu "E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz" ( Gn 22:18 ); "A bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que hoje vos mando" ( Dt 11:27 ). Qualquer que queira ser participante da bênção que Abraão alcançou necessita obedecer a voz do Senhor, pois é dela que advém a bênção a todas as nações da terra, ou seja, através do Descendente, que é Cristo, o Filho de Davi.
A palavra que ordena a bênção é clara: “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:1 -3).
Basta ‘obedecer’ como fez o crente Abraão que todos os homens será participantes da mesma bênção prometida a Davi, proveniente do Descendente, que é Cristo. Basta ouvir atentamente que receberá vida eterna. Fará parte de uma aliança perpétua, pois adquirirá da mesma firme bênção concedida a Davi: co-herdeiro com o Descendente.
União fraternal
De qual união o salmista fez referência?
É comum à maioria das religiões apregoarem união na família, na nação, na igreja (como instituição) e no mundo. Para tanto apontam o altruísmo, a tolerância, a simpatia e o acordo. Sabemos que a harmonia é imprescindível para o convívio em qualquer seguimento social, porém, a união que o salmista fez referência neste salmo diz de bons relacionamentos humanos?
Antes de responder, observe o que o apóstolo Paulo destaca: "Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas" ( Rm 9:6 ). Ou seja, nem todos os que pertenciam ao povo de Israel eram de fato irmãos. Todos de Israel eram descendentes de Abraão, porém, nem todos eram de fato filhos de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência” ( Rm 9:7 ).
De que união o salmo 133 trata: da união dos descendentes da carne de Abraão, ou da união pertinente aos filhos de Deus? O que é bom e suave? Bom e suave é ter fardo e jugo de filho!
O Cristo recomendou que aprendessem d’Ele, porque Ele era manso e humilde de coração "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" ( Mt 11:29 -30). Todos aqueles que tomam o jugo de Cristo e aprendem d’Ele, recebem de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13). O salmo 133 fala especificamente da união pertinente aos filhos de Deus!
‘Quão bom’ levar o fardo de filho! Quão ‘suave’ é ter o jugo de filho! Tudo isto é proporcionado aos que receberam a bênção e a vida eterna do Senhor (v. 3b), todos quantos se unem ao Descendente.
Ora, o salmista nos informa através do verso 3, parte ‘b’ que ‘em Sião’ o Senhor ordena a bênção, concedendo-lhes vida para sempre. Ora, a bênção de Sião é concedida aos filhos, e os filhos são aqueles que compartilham da vida para sempre, ou seja, que ‘vivem em união’, que ‘vivem em Deus’.
O apóstolo João fala desta união: "O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo" ( 1Jo 1:3 ).
O apóstolo Paulo contendeu com Barnabé "E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre" ( At 15:39 ), e, apesar de se apartarem um do outro, contudo ‘viviam’ em união. Como pode ser isto? ‘Viver em união’ transcende a idéia do convívio social amistoso. Quando Paulo e Barnabé aceitaram a Cristo, tornaram-se nova criatura, por estarem em Cristo ( 2Co 5:17 ).
O fato de estarem ‘em Cristo’ é o que determina o ‘viver em união’. Ambos, Paulo e Barnabé, eram filhos de Deus pela fé em Cristo, e a contenda que houve entre eles não desfez a união perfeita em Cristo.
A Paz que Cristo concede não é conforme a paz do mundo ( Jo 16:33 ), pois a paz de Cristo só é possível n’Ele ( Jo 16:33 ). Cristo não veio resolver a falta de paz que há no mundo, antes veio estabelecer a paz entre Deus e os homens. Quanto ao mundo é pertinente a aflição, e, portanto, resta aos que tem paz com Deus não se atemorizar.
Do mesmo modo, a união que Cristo promove não é conforme a união que o mundo busca estabelecer. Enquanto o mundo busca promover um bom convívio social através de valores tais como: religiosidade, altruísmo, tolerância, simpatia e o acordo, a mensagem de Cristo é: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada" ( Mt 10:34 ).
Como o cristão sabe que não possui neste mundo possessão permanente ( Hb 10:34 ), no que depender dele, se possível, que tenha paz com todos os homens ( Rm 12:18 ). Tendo a certeza que Deus cerca os seus filhos de todos os bens "Ora, o mesmo SENHOR da paz vos dê sempre paz de toda a maneira. O Senhor seja com todos vós" ( 2Ts 3:16 ), àqueles que temem o Senhor têm possessão permanente "Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e eu encha os seus tesouros" ( Pv 8:21).
A Sabedoria que vem do alto é que enriquece! ( Pv 8:20 ; Pv 10:22 ).
Após compreender a que se refere o Salmo 133, fica o aviso da Sabedoria: “Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque bem-aventurados serão os que guardarem os meus caminhos. Ouvi a instrução, e sede sábios, não a rejeiteis. Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos, velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. Porque o que me achar, achará a vida, e alcançará o favor do SENHOR. Mas o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte” ( Pv 8:32 -36).
Aqueles que receberam a bênção e a vida para sempre do Senhor que veio de Sião são os que vivem em união ( Sl 133:1 e 3).